ONLINE
40




Partilhe esta Página

ACITEL

sr

S

OBEREKANDO

D

AWEF

ds


SEU JOÃO, DE CURIÚVA, É UM OÁSIS DE CONHECIMENTO
SEU JOÃO, DE CURIÚVA, É UM OÁSIS DE CONHECIMENTO

A caminhada dele é exemplo de força, resiliência, trabalho e bondade!

s

20/04/26 às 04:13:11) Um super bate-papo, no sentido de conhecimento, experiências de vida, desprendimento e amor ao próximo, é o que aconteceu na semana passada, quando o Oberekando conversou com João da Silva Oliveira, na Serrinha do Caetê, em Curiúva... mais um pioneiro, de 78 anos. Ele nasceu no dia 15 de outubro de 1947. Conta muitas interessantes histórias, ‘da vida real’, e iniciou com um tio dele, o José, chamado de Jeca, que era casado com uma tia dele, irmã de sua mãe, que saiu de Curiúva, ele e a esposa e um cargueirinho, “e cortaram esse Nortão aqui, pra São Jerônimo da Serra, e foram indo, indo. Ele contava que quando passou em Londrina, tinham duas casas, e naquela época, estava a influência do plantio de café, e ele cortava o mato lá no meio do matão, dois ou três alqueires, e daí as pessoas vinham, com aquela influência de plantar café no Norte, e pagavam bem para ele por aquela terra, e ele pegava o cargueirinho dele, e carcava pé no mato de novo por picada, e ia, e lá na frente abria mais dois ou três alqueires e as pessoas com aquela pressa de plantar café, e a terra limpa, entravam lá e ele ia pra frente! Ele foi bater em Apucarana, dessa maneira”. Com o êxito do tio, os pais do entrevistado foram até ele, para Apucarana e bem criança, João lembra que o trabalho do patriarca era numa serraria, localizada em Rio Bom, que para efeito de localização atual, fica Marilândia do Sul adentro, no Vale do Ivaí. Gostando muito de caçada, eis que foram, lá no Rio Bom, com os amigos, para os matos, e acabou sendo Jeca, atingido por uma cascavel lá pelas 9 horas da manhã, e infelizmente foi fatal, e morreria às 3 da tarde. As coisas antigamente não eram fáceis e ágeis, e o avô de João levou mais de um mês para conseguir os pegar de volta, e ficaram nesse tempo, na casa do tio falecido!

Nesse período, ele assistiu, mesmo tendo seis anos de idade, aos trabalhadores cortando a via para fazer a estrada de Curiúva até Ibaiti, na picareta! Para fazer os aterros, usaram as gaiotas (Carrinho de madeira) puxadas por burros, para levarem a terra! “Minha mãe falava que tinham uns 200 homens trabalhando!”.

A Rodovia do Café no trecho Curitiba a Londrina, disse que foi iniciada quando ele tinha mais ou menos 8 anos e o transporte de café passava em massa também por Curiúva, “e aí aquela fila de caminhãozeira, tudo Alfa Romeu”. Um outro tio dele, que hoje está velhinho, disse que eles “rasgaram na mesma época, a estrada de Piraí até Londrina, e na picareta também!”.  E Curiúva, só tinha a rua do Caetê Velho e mais nada, e tinha a igreja! “e daí, a rua que passava na bica e cortava pro Guajuvira para ir para Londrina, varava por dentro ali”. Ali passaram-se a abrir hotéis para alugar para os caminhoneiros. Começava ali, mas só naquela região por enquanto, o início do crescimento de Curiúva.

 

A ALIMENTAÇÃO ERA A BASE DE QUIRERA, CARNE DE PASSARINHO E BICHOS

Nos dias de hoje, em que incorremos no maleficio de não cuidar da alimentação, pelas inúmeras possibilidades de comida rápida, e as famosas bobagens, até choca a informação que naquela época, era a quirera o prato, além de carne quando passarinhos e bichos que eram caçados! Na sua época de infância, era puro mato, e os residentes dos sítios plantavam um “capãozinho de milho para retirar a quirera” e nada de abacate, abacaxi, laranja, enfim, como é hoje! Ele, criança, lá pelos 8, ouvia e entendia as pessoas falarem do feijão, mas nos rincões, ninguém tinha um caroço deste para comer!

Nessa idade, ele ganhou um padrasto, Salvador Policarpo da Silva, porque seu pai, Manoel Francisco de Oliveira, havia já falecido quando ele tinha seis anos... faziam dois anos e pouco! Ai eis que duas irmãs do padrasto, casaram no mesmo dia, e o comentário e expectativa maior era que, ao ter festa, lá iria ter arroz servido aos convidados! Percebem a raridade? “Como o pai de meu padrasto era pobrezinho, fizeram um tachinho de arroz do tamanho de uma bacia, e daí fizeram aquela tachadona de quirera com carne de pato!”.

 

TRÊS HOMENS DENTRO DE CURIÚVA QUE MUDARAM A VIDA DO POVO

Nesse sentido de disponibilidade e acesso a alimentos, disse ele que existiram três pessoas que mudaram a vida do povo.

Um deles foi Adolfo Alemão, “que entrou com um enorme de um barracão, e uma máquina de arroz, grande mesmo, sem ter um caroço de arroz para comprar!”.  O neto dele hoje, tem uma beneficiadora de milho. “Ele montou aquela enorme daquela máquina para incentivar o povo a plantar arroz para ele comprar!”.

Pedrinho Sebastião entrou com um caminhão fordinho, com uma máquina debulhadeira de milho, encima, “e ele comprava milho e feijão, mas não tinha pra comprar... se tinha dez sacos de milho em algum lugar, ele ia lá pra comprar! Se ele soubesse que tinha um saco de feijão lá na Areia Branca ou Figueira, ele ia buscar! Pra vender... para onde ele mandava eu não sei!”.

João Tibúrcio entrou também com um caminhãozinho. “Nem sei que caminhão era, mas era um caminhãozinho, comprando porco gordo! Porque naquela época, tinham os tios da minha mulher e eles faziam safra lá em Natinguí, nas fazendas do Nho Ó. Quem queria melhorar de vida fazia aquelas safras lá, 15 a 20 alqueires de roça, e ponhava a porcada para engordar. De lá da fazenda o Nho Ó, para adiante do Natinguí, eles tocavam, varavam pro Felisberto e vinham cortando, passavam por Curiúva, passavam por Arveira, Espigão Bonito e vinham entregar os porcos lá em Ibaiti!”. Aquela vara (*coletivo de porcos) era conduzida pela estrada de chão, assim como era feito na época o tropeirismo, com gados! Tibúrcio, que montou uma mangueira abaixo aonde hoje é a rodoviária, ao comprar os porcos e transportá-los e os vender, auxiliou muito para o fim do sofrimento destes safristas!

Depois destes três que foram desbravadores, o povo começou a plantar meia quarta de chão, de arroz, o que dá 3 mil metros quadrados. Uma safra por ano, e era vendido a colheita para Adolfo! Lá pelos 8 a 9 anos, foi que o entrevistado começou a comer arroz normalmente, porque antes disso, só em festa! “Dentro de dois anos mais ou menos, mudou a vida do povo devido a esses homens que compravam!”

As frutas, como abacaxi e banana, o povo simples não plantava e existiam uns italianos que sim, cultivavam bananas, mas que não cuidavam muito! Mas aos seus 9 anos, aí sim, foi no terreno deles – do padrasto-, plantados meio alqueire de bananal e 16 mil pés de abacaxi. Na época dos abacaxis, ele estava entre 10 a 12 anos de idade! E tudo era vendido para o povo de Ibaiti, que levava caminhão lotado!

Perguntado de gados, informou que praticamente não existiam, e tinha Marquinhos Generoso que tinha umas vaquinhas, mas que soltava nas capoeiras! Também voltando ele aos 8 anos, era quando seus familiares compravam porquinho novinho para engordar e para o consumo próprio deles.

Depois disso, começa a época das aquisições, como das baterias para colocar louças e panelas, dos fogões econômicos – à lenha, “aí o povo teve condições de fazer uma casinha de madeira, porque a vida do povo naquele tempo era de pau a pique! Nós mesmos moramos em ranchinho de pau a pique, coberta de sapé!”. A compra por eles, da bateria, dos alumínios como panelas, que era encomendada por um viajante (vendedor) que vinha de Londrina, e o primeiro rádio que o padrasto comprou com João aos 9 anos, foram de muita alegria!

Na época dos avós dele, as latas de óleo (de soja – azeite como mais chamávamos) eram usadas para passar café, e nelas se colocam alcinhas. “O nome era chicoateira!”. Para tomar água, eram as latas de leite! Um fogão a lenha (econômico), eram de dois a três anos de trabalho na lavoura, para pagar as prestações, recordou o entrevistado!

 

GUERRAS E CUIDADOS E DESCUIDOS DA VIDA MODERNA

Ele vê hoje, que quanto mais se compra algo novo, mais se quer estar por dentro, seja de um carro, de um celular, TV, ou demais artigos, mas confessou certa preocupação com este momento em que várias guerras estão em andamento, e desdobramentos que elas podem trazer, como falta de combustível, e o próprio risco de alastramento da violência. Falou que quando criança, passou por efeitos da guerra (2ª Grande Guerra Mundial). Como criança, eles moravam no sítio, e ao perceber à noite, vozes, eram apagadas as lamparinas de querosene, “e faziam a gente ficar quietinhos, porque falavam eles que ainda naquele tempo o policiamento vinha e levava os gados das pessoas, iam pegando e catando. Se achassem um mantimento nas casas das pessoas eles levavam! Então apagava e eles faziam a gente ficar quietinhos!”.

O uso de palito de fósforo... imaginem: Disse que a sua avó passava quase um mês sem riscar um, pois “tinha aquele fogão a lenha, quando chegava à tarde, ela pegava aqueles pauzão de lenha grosso, e fazia aquela brazona e quando queimava bem ela ponhava aquela cinza ali e cobria, e no outro dia amanhecia aquela brazona ali e ela pegava e ponhava umas palhinhas ali, uns gravetinhos e começava o fogo! Para ela olhar as panelas já (cozinhando), ela pegava uma palhinha de milho e alumiava as panelas assim, e apagava aquilo e só acendia a lamparina na hora de jantar”.

Ele rememorou quando criança, que ficou com vontade tomar guaraná, e fez um trato com sua tia... isso ele lá por volta dos 8 anos! Carpiu um terreninho que ela morava, e era a esposa deste tio dele, que mora nas proximidades de onde ele hoje reside, e que inclusive, João adquiriu, por ter sido de sua bisavó... Dona Maria Firmina, que morreu com 105 anos!  

! Já, um outro tio dele, quase de idade próximas, de 13 anos, ele queria comprar um litro de capilé (groselha), para isso, ambos carpiram uma semana e pouco! “e depois de uma semana e pouco, sabe o que deu pra comprar? Uma caçulinha! (Que são aquelas garrafinhas mini). “Imagina como era naquele tempo... se não desse pra comprar, a criança ficava com vontade!”.

Num segundo momento, quando fora citado esse período de guerras, numa suposição que conflitos atingissem, hipoteticamente (ou sabe-se lá o que farão os poderosos...), a atual população, quanto aos jovens, e enfim, vê que poderia se darem muitas mortes por infarto, ao não poder usar a tecnologia que eles têm, ou aqui acrescentado por este jornalista, a que estão reféns, muitas vezes!   Falou o entrevistado: “Para eles, tem que ser tudo na facilidade! Não têm a capacidade de enfrentar uma dificuldade ai da vida, para poder sobreviver!”.

A preocupação dele com as pessoas que moram em apartamentos, em uma pane elétrica, a dificuldade de abastecimento de gás e outras falhas que podem acontecer! A tristeza que ele expressou de ver pessoas em favelas cozinhando em fogos que montaram no canto dos lotes... A importância que os governantes busquem a paz! 

 

AS QUESTÕES DE SAÚDE, NA ÉPOCA

Com distâncias e dificuldades de quem não tivesse automóvel – algo raríssimo para as pessoas mais simples, e que era artigo de luxo -, e as comunicações, sem correio, ou a hoje, internet, ou telefone celular, ou mais popularizado, situações de emergências de saúde eram outro momento complicado! Na época dele, em Figueira existia o farmacêutico, Godofredo. Fez um comparativo que naquela época as pessoas ficavam doentes e tomavam remédio e saravam, e hoje... as vezes toda semana nos postinhos, e com um monte de remédio! Esta jamais foi crítica, e sim, comparação aos tempos antigos! Também, foi a época dos remédios caseiros, e que faziam um grande bem!

 

AS MORADIAS DE SEU JOÃO

Na Barra Grande, em Curiúva, por 17 anos! 22 anos em Telêmaco, quando eram os anos 80: “Quando nós saímos de lá pra vir pro sítio, tinha gente que chegou a fechar a porta... que chorou de nervoso da gente deixar eles lá!”. Era um costume lindo esse sentimento de vizinhos de muito tempo, quando eles tinham que se mudar... esse momento era de muita tristeza e não os ver sair com o caminhão de mudança, cortava um pouco menos o coração! Quando em Telêmaco, morou ele no hoje Bairro Bela Vista, para baixo de onde é o Supermercado Irajá, lembrando ele do Iranei, o proprietário! Atingida pela barragem seu sítio, ao ser indenizado, que comprou o local aonde está hoje, e que voltou em 2010. Retornando na linha do tempo, nascido na mesma localidade em que está, foi pra Rio Bom, e aos 6 anos, retorna com seu avô, para Curiúva!

 

A GINEOLOGIA

Ele tem as irmãs, Daura, que mora em Curiúva, e a Joraci, que é filha do padrasto, e também reside em Curiúva. A primeira esposa dele foi Dona Ivone, que após 58 anos de casados, morreu em 2020. Observe os nomes, porque aí, ele já viúvo, casou com a Dona Ivonete!

Os filhos e descendentes são:

Ari, o primogênito, que infelizmente faleceu em acidente há cerca de 8 a 9 anos. O primeiro neto de João por parte dele, é o Jonathan, além da Milena e Kauan;

Rosana, que reside em Curitiba. Ela tem o primogênito Maicon, e a Monique;

Rosemar, que mora em Telêmaco. Os filhos são Allan, Alex, Pâmela e Kayane;

Tânia, também em Telêmaco;

Sônia Mara, que mora em Curiúva, e ela tem Matheus, Nicolas, e Marcelo;

E a caçula, Ariane, em Curitiba. A filha dela é a Maria, que é a netinha caçula, tendo por volta de 5 anos. 

O vovô João com alegria lembrou que tem vários bisnetos!

Antes de finalizar a entrevista, fora feita homenagem à dois pioneiros da cidade, sendo um deles, Hermes da Silva Borges, que é pai do prefeito Christiano, e ao pai de Márcio Boranelli, que deu esta sugestão de pauta para a entrevista, Luiz Boranelli, e perguntado à João se os conhece e de sua amizade com eles, disse que sim, e a ambos!

Ao encerrar, o entrevistado deixou uma mensagem de muito carinho, agradeceu ao povo de Curiúva pela amizade, e pediu que Deus abençoe a todos!

s

Agradecimentos deste jornalista ao empresário Márcio Boranelli, por apontar Seu João com sua trajetória, como de grande relevância, como de fato é, e se ter a oportunidade de documentar, por meio desta matéria!

--

Abaixo, seguem algumas informações complementares retiradas do Google, por dois motivos: O entrevistado nasceu no Dia 15 de outubro, data consagrada aos mestres, e ele é um professor da vida, com seus desafios, pelo que já passou, e carinho e leveza com que a leva! Também, no decorrer do bate-papo na integra, conforme vídeo abaixo, por diversas vezes se falou nas Guerras Mundiais, e eis alguns apontamentos:

O Dia do Professor no Brasil é celebrado em 15 de outubro, oficializado pelo Decreto Federal nº 52.682 de 14 de outubro de 1963. A data remete a 15 de outubro de 1827, quando D. Pedro I criou o Ensino Elementar no Brasil, instituindo escolas de primeiras letras em todas as vilas. A comemoração é um feriado escolar

--

A Primeira Grande Guerra Mundial durou 4 anos, de 28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918. Já, a Segunda, durando 6 anos, foi de 1º de setembro de 1939 à 2 de setembro de 1945.

--

LEIA TAMBÉM:

2023: SEU MOISÉS É ORGULHO DE CURIÚVA: Homenagem ao Pioneiro e esposa, é comemoração aos 76 anos da cidade

2024: PIONEIRO, HERMES BORGES E CURIÚVA, TÊM 77 ANOS: Entrevista comemorativa, ele é pai de Christiano, prefeito eleito

2025: NOS 78 ANOS DE CURIÚVA, HOMENAGEM À LUIZ BORANELLI: Desta terra por adoção, falou de cafeicultura, família, e sua vinda de terras paulistas