Um momento muito tocante de sua história: “O Santo que me encantou!”, em relação ao Frei Damião
01/04/26 às 00:05:03) A segunda entrevista especial que marca os 12 anos do Site Oberekando, e os 30 anos de atuação deste jornalista que aqui escreve, é com Maria Luzia Rodrigues. Ela que lecionou por muitos anos, foi diretora de colégio e supervisora, enquanto era freira, e teve um privilégio espiritual que lhe trouxe muita alegria: poder cuidar de Frei Damião, em Petrolina, em uma das missões que ele foi fazer nesta cidade do Pernambuco!
Esta entrevista, além de homenagem à querida docente, que foi professora da sobrinha deste jornalista, a Flavia Oberek, e lecionou junto com a irmã do mesmo – Edivane Oberek, tem também o objetivo de saudar a todos os nordestinos em sua imensa religiosidade, além de nortistas, e ao carinho que têm, ele lá no céu, e em vida sempre tiveram, à Frei Damião!
“A minha caminhada é muito profunda e longa! Eu morei muito tempo na Congregação das Irmãs Carmelitas, como Irmã Maria Luzia Rodrigues. Hoje eu sai, estou fora! Saí num momento bem conturbado... primeiro para cuidar da saúde de minha irmã, e também para cuidar da minha saúde. Por um tempo eu morei na Diocese de Petrolina, no Pernambuco, e nesta, nós tínhamos como nosso líder espiritual, Don José Cardoso, e ele era amicíssimo de Frei Damião, e numa destas missões, aonde a gente saía por três meses, e depois voltava para casa descansar, e após, saia por mais três meses, e numa dessas missões, quem estava como diretor espiritual e pregador, era Frei Damião!”. Disse que na verdade ele já estava bem debilitado e velhinho, mas consciente, e a equipe que ela compunha tinham médicos, enfermeiros, catequistas, professores, fisioterapeutas, e nas horas de intervalo, de uma missão para outra, “a gente cuidava de Frei Damião! E nesta época, ele estava com as perninhas inchadas, roxas, de fazer aquelas missões longas dele, e a gente cuidava dele! Na hora dos intervalos a gente dava banho na perna dele... Eu dei banho na perna de um santo!”. Luzia disse que ele, mesmo com as debilitações e voz baixinha em sua longa idade, na hora do microfone e das pregações, ele era forte e mexia mesmo com a sociedade. Diz a lenda, que de tanto atender confissões e ficar arcadinho, foi que ele ganhou um cocuruto nas costas, e falava baixinho! “Os olhos dele azuis, da cor do céu! Aí ele te olhava assim com aquele olhar que atravessava a sua alma!”.
NOMES EM HOMENAGEM E GRATIDÃO À FREI DAMIÃO
No Nordeste e Norte do Brasil, - caminhada e vida sacerdotal deste querido Italiano -, é normal que nomes escolhidos para as crianças, fossem – e ainda sejam - Damião ou Damiana, em honra ao Padre, e em muitos casos, pedindo a ele a intercessão para que houvesse um parto tranquilo, ou que partos com problemas e de risco, dessem certos! Disse ela que no Nordeste, mesmo que tenham outro nome, mas compõem eles, Damião, Damiana, Cícero ou Cícera! Os últimos, em homenagem ao Padre Cícero! A eles, consagrados!
LEMBRANÇAS DO FREI DAMIÃO... ELE ERA CARINHOSO COM VOCÊS?
“Carinhoso! Eu me lembro que a primeira vez... o meu primeiro encontro com ele, eu fiquei muito emocionada! Eu não tinha reação, porque eu pensava que nunca em minha vida eu iria conhecê-lo! De repente, Don Paulo disse assim ‘venha aqui Irmã Luzia que eu quero te apresentar para uma pessoa muito especial!’. Quando eu vi que era ele, aí eu olhei para ele sentadinho na cadeirinha, e ele olhou para mim com aquele olhar azul, e ele carregava sempre uma cruz no peito e ele fez assim, que era para ele (Don Paulo) me levar até ele! Aí eu me ajoelhei para eu ficar na mesma altura dele, e ele pegou a cruz, e bateu em minha cabeça e falou ... ‘juízo, menina!’. Ele começou a perguntar de onde eu era, e eu falei que era do Paraná, de Telêmaco Borba, e as histórias todas, e ele com aquele carinho de pai mesmo! De diretor espiritual mesmo! Uma coisa que me fascinou! Eu disse que se um dia eu escrever um livro, será esse o título: ‘O santo que me encantou’”.
UMA FAMÍLIA DE RELIGIOSAS E RELIGOSOS
A família de Maria Luzia tem um bonito histórico de vocações, e a primeira delas, foi a tia dela, a Irmã Carmelina – que já está nos braços de Deus, irmã de Dona Ana Flauzino da Cruz, cujo aniversário de 90 anos foi comemorado no final de semana. “Depois dela, ela foi chamando... chamava uma, chamava outra”. Carmelina chamou a irmã da entrevistada, Joana de Fátima, e em seguida, foi o momento da própria Luzia. “A Joana me puxou, depois eu puxei a Madalena (Irmã Madalena), da tia Ana, e a Madalena puxou a Lurdinha, e ela chegou até o Noviciado”. Na verdade, Luzia não sabia, mas Joana já estava com planos de atuar na área da Saúde, e como na Congregação o trabalho era mais a Educação, ela saiu, fez Enfermagem, e nascida em Loanda, veio para Paranavaí, inclusive de onde Luzia nasceu, e casou, e quando no parto, tanto ela, quanto as duas crianças, faleceram!
Luzia teve os votos perpétuos, bem na época que a Irmã Madalena, sua prima-irmã, chegava ao convento. Neste caso, para se desligar da vida religiosa como freira, só com a carta vinda do Papa, aceitando a dispensa, e foi quando as freiras pediram para ela esperar mais um pouco e cuidar da sua tia, a Irmã Carmelinda, que mais tarde, em Uberaba, viria a falecer! Na verdade, elas não enviaram a carta ao papa naquele momento, pois pediram a ela, depois de um ano e meio cuidando da tia, se ela pudesse ir para São Paulo as ajudar, e assim fez, por cerca de dois anos, e estava em curso, o ano de 2000. Em 2006, saiu a dispensa, de Roma! O retorno à Telêmaco, em 2008, foi numa segunda-feira, e quando na sexta, já estava trabalhando!
A alegria da família ainda se expandiu, pois dois dos sobrinhos, Tomas Bento da Cruz Pereira e Luiz Gustavo Ferreira estão no seminário Diocesano, aonde iniciaram seus estudos recentemente!
DONA ANA, A MÃE DE CRIAÇÃO
Aos seis meses de vida, Luzia perdeu a mãe, e tanto ela, quanto as suas irmãs, Inês e Joana (que fora freira e já é falecida), quem as adotou fora a avó - Ana Flauzino -, mãe de sua tia Ana. No parto da entrevistada, a sua mãe teve uma complicação e aos 27 anos, faleceu. Sua avó, morreu com 52 anos, “muito nova também... e aí, quem assumiu a gente? a Tia Ana!”. Com muito carinho, na decisão de retornar do convento, e claro, ainda lá, a tia Ana sempre em oração e sendo o alicerce espiritual, e disse quando Luzia comentou em sair, que as portas da casa da tia estavam sempre abertas, e assim foi, e é!
Claro que ela deixou uma mensagem à Tia Ana, e em especial, porque esta matéria foi gravada um dia antes das comemorações dos 90 anos dela: “Então, Tia Ana, a senhora sabe que na nossa vida, a senhora é como se fosse um espelho, ao qual a gente olha e a gente começa a ver as nossas atitudes! E a gente procura, na maioria das vezes, seguir pelo menos um pouquinho daquilo que a senhora ensinou aos filhos da senhora, e aquilo que a senhora aprendeu com a vovó... a vovó Anita, a mãe da senhora! Então saiba que eu a amo demais! Pra mim, a senhora é a segunda mãe! Eu te amo muito! Parabéns, felicidades, e muita saúde na sua vida!”.
Foi perguntado a ela o que significa fazer parte de uma família tão amada por Telêmaco, e ela disse que é de muita alegria, e disse de qualidades e defeitos, mas, se emocionou ao lembrar de sua avó, que amava valorizar o núcleo familiar, juntar as pessoas! “Eu me sinto privilegiada de estar nesta família Cruz. Minha assinatura é Rodrigues, por causa de meu pai, e da minha mãe, Cruz. Pra mim, realmente, é privilégio!”.
A ATUAÇÃO NO MAGISTÉRIO
Luzia foi aluna da Escola Paroquial, e em seguida do Wolff Klabin, e iniciou o Magistério em Telêmaco o concluindo já no convento em Uberaba, Minas Gerais. Depois em São Paulo, concluiu Pedagogia, após, fez Filosofia, e Teologia, sendo em Minas a Teologia da Vida Religiosa, e na Diocese de Ponta Grossa, Teologia Bíblica. Um fato bonito quando se fala do Magistério, é que citou a catequese, como início e desde novinha, e após, assumiu sala de aula mesmo quando veio o estágio, “e quando eu entrei no convento, as irmãs viram a possibilidade de que eu continuasse essa missão de Educação, e a nossa congregação era essencialmente educativa”.
Como freira ela foi professora, coordenadora, diretora de escola. Este último cargo ela exerceu em Paracatú, Minas Gerais, e em São Paulo, na Vila Medeiros. Quando deixou o convento, o primeiro trabalho que teve foi no Projeto Aldeia Infantil SOS Brasil, fundado por um padre Francês, que morava, acha ela, na Romênia e esteve no Brasil. I trabalhava com crianças com risco de vida, inclusive com filhos de pessoas ligadas ao PCC. Neste período ela estava com cerca de 32 anos! Ela fará, em 12 de dezembro, 64 anos!
Logo que voltou à Telêmaco, imediatamente, o Estado a contratou! “Foi gratificante Eu me identifiquei muito com a Rede Pública, foi uma experiência tremenda. Só saí da Rede agora no ano de 2025, que eu me aposentei!”. 32 anos de vida dedicada à Educação, ao contar os períodos de convento!
Na Rede Estadual, ela tinha as disciplinas de Sociologia, Filosofia, História e Geografia.
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CAMINHADA DE LUZIA
Entrada na Congregação das Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresinha do Menino Jesus
Experiência em Francisco Alves e Paranavaí (1984)
Postulantado e Noviciado em Uberaba – MG (1985)
Primeiros Votos. (FREIRA) 1988. Uberaba – MG (1986) morando lá até 1991
Juniorato em Paracatu – MG, de 1992 a 1998.
Votos Perpétuos em Uberaba – MG (1998)
Missão em Petrolina, no Pernambuco, de 1999 à 2001
Desligamento da Congregação em 2006.
Trabalho na Educação em Telêmaco Borba, Pós Vida Religiosa
Colégio Anchieta
2006 a 2008: CEMAG E Helena Roncosck, em Reserva
CEWEK e SÃO PEDRO.
Custódio Neto
REDE MUNICIPAL DE TB
De 2009 à 2024, nas escolas Paulo Freire, Custódio Neto, Etelvina Arzua e Costa e Silva, a última antes da aposentadoria, sendo de 2018 à 2024.
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ÁRVORE FAMILIAR DE LUZIA
Irmãs: Joana e Maria Inês
Pais: Maria Aparecida e Cláudio
Avós Paternos: Antônio Rodrigues e Zulmira
Avós Maternos: Geraldo Barnabé da Cruz e Ana Flauzina da Cruz
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FREI DAMIÃO (Conforme Wikipédia)

Frei Damião de Bozzano, nascido Pio Giannotti, OFMCap (Bozzano, 5 de novembro de 1898 — Recife, 31 de maio de 1997) foi um frade italiano radicado no Brasil. Está em processo de beatificação, tendo recebido os títulos de servo de Deus e venerável.
Começou sua formação religiosa aos doze anos, na Ordem dos Frades menores Capuchinhos. Aos dezenove anos foi convocado para o exército italiano e participou da Primeira Guerra Mundial. Com o fim da Guerra, retornou à vida conventual entre os capuchinhos. Aos 27 anos diplomou-se em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma e foi docente do convento de Villa Basílica e do Seminário de Massa.
O frade capuchinho, ordenado sacerdote em 05 de agosto de 1923, transfere-se para o Brasil no ano de 1931, estabelecendo-se em Recife, no Convento Senhora da Penha, da Ordem dos Capuchinhos. Viveu a maior parte de sua vida nessa região, fazendo peregrinações pelas cidades, celebrando a Eucaristia, confessando, realizando casamentos e batismos etc. Por muitos nordestinos é considerado como santo. Encontra-se atualmente em processo de beatificação desde 31 de maio de 2003.
Sua primeira missa foi nos arredores da cidade de Gravatá, em Pernambuco, na capela de São Miguel, no Riacho do Mel. Anualmente, no mês de maio, realiza-se naquela cidade as Festividades de Frei Damião: uma grande caminhada sai da Igreja Matriz Nossa Senhora de Santa'Ana (no centro de Gravatá) e vai até a Capela do Riacho do Mel.
Na cidade de Recife, mais precisamente no Convento de São Félix da Ordem dos Capuchinhos, onde se encontra seu corpo, acontece desde sua morte no fim de maio diversas celebrações em sua memória.
Nunca abandonou suas caminhadas e romarias pelas localidades, principalmente no Nordeste, no qual acompanhava com ele sempre, um terço e um crucifixo, as quais fazia com seu amigo Frei Fernando. Só parou poucos meses antes de falecer, devido ao agravamento de seu problema na coluna vertebral, fruto da má postura de toda a vida.
Na primeira visita de João Paulo II ao Brasil EM 1980, ele teve encontro com o Papa, e já, em 2019, foi elevado a Venerável, foi pelo Papa Francisco. Ele está no processo de Beatificação!
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