Encarregado de Elétrica, com família em Telêmaco, ele falou dos desafios, da saudade, e especialmente do coração apertado nos bate-voltas que a escolha exige!

12/1/2026 às 08:13:14) O ano de 2026, oficialmente abre agora, com as matérias habituais do Oberekando, após, por 30 dias, na Homepage, estarem matérias especiais e mensagens natalinas. E a temática escolhida, e gravada justamente no Dia de Natal, foi uma homenagem à todos aqueles trabalhadores, do trecho, ou seja, que deixam suas cidades, suas famílias, para perto, mas, muitos, muito longe, ou simplesmente longe, garantirem ou ajudarem no sustento daqueles, que ficam em oração, pedindo que os anjos os protejam de todos os perigos e males! Temos em Telêmaco, esta situação inversa! Recebemos muitos trabalhadores, de todo o Brasil!
Mas... o grande x da questão, é que ao chegarem às suas casas, o coração explode de alegria..., mas quando é a hora de partir... também corações partidos, lágrimas e um até breve!
A conversa, no terminal rodoviário de Telêmaco, foi com João Carlos de Moares da Silva, que trabalha fora, e é trecheiro, e exerce como encarregado de Elétrica.
Nascido em 19 de dezembro de 1979, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, é filho de Dona Maria, e pai de Kamile. Para Telêmaco, ele veio entre seus quatro a cinco anos!
“Na verdade, é o seguinte: A vida da gente no trecho, é quase igual a vida do caminhoneiro, sofrida! A gente deixa a família da gente em casa aí, e vai pro mundo afora, com o coração apertado, mas infelizmente, infelizmente, Telêmaco Borba, como algumas outras cidades do país, ela não tem condições de dar trabalho pra gente aqui, principalmente na minha função. Hoje tem que se depender muito das obras da Klabin... Graças à Deus que tem ela ainda, mas só que a Klabin não é obra direta, rodando anos e anos, aí tem o mundo aí..., para dar o melhor pra família! Mas neste momento... quando você vem de folga, vem para casa, é esperado geralmente aquele momento de alegria, de felicidade, mas essa hora de voltar pra trás, é a parte mais triste, porque você vai deixar mãe, filha, e muitos, esposa, namorada, enfim”.
É muito comum ver as postagens dele, João, com declarações abertas de amor à mãe, em redes sociais, e também à sua filha: “O mínimo que você pode fazer neste mundo, é amar a família. Se você não amar à família, está perdido. Você tem que ser, primeiramente, temente à Deus”, e também amar ao seu próximo, e a família, quando lembrou ele a palavra de Deus, que pede que se honre pai e mãe. Exaltou Dona Maria, que é o pai e mãe na casa, e disse que ensina sua filha, a ser essa guerreira a exemplo dela.

Ele já rodou o Brasil, faltando apenas Fernando de Noronha. Seu início foi por intermédio de um amigo em comum com este jornalista, In Memoriam, Valter, que tinha um bar na Rua Paraguai: “Eu com meus 18 anos, comecei, fui na Klabin, e não me adaptei, porque o negócio de ficar naquela rotina não era pra mim, e aí fui trabalhar numa serraria, e aí ele me aconselhou... como se fosse hoje, ele me falou ‘cara, porque você não vai pro trecho, bicho? Piá novo, solteiro, vai pro trecho, vai ganhar dinheiro!’ E daí apareceu uma oportunidade, numa empresa chamada Marza, em Jaguariaíva, e eu fui pro trecho, com a intenção de ficar só uns 45 dias, 60 dias, e lá se fazem 28 anos que estou nesta vida. Entrei com 18 e estou com 46! São 28 anos de trecho, rodando o mundo!”.
Fábricas, desde siderúrgicas, hidrelétricas, termoelétricas, fábrica de papel, de celulose. Quanto aos demais países, quase todos do Mercosul, além de Angola e México, dentre outros, mundo afora.
Ao dizer que o brasileiro nem sempre é bem visto por outros países, assim como foi comentado por este que aqui escreve, no livro ‘De Jornalista a Jornaleiro’, o problema maior é o de se achar os compatriotas, o tal do ‘brasileiro esperto’, mas “que depois eles vão conhecendo a gente e vão vendo que não é tudo isso que eles pensam! O brasileiro é o seguinte... tem o lado do brasileiro esperto, da malandragem, mas tem o lado esperto, de ser bom no que faz! Aí tu chega mostrando que é bom no que faz, e os caras se rendem à ti!”. Completou: “Nesta vida de trecho nossa, é isso aí, tem que gostar do que faz! Se não gostar do que faz, o cara não aguenta! Não só eu... quantos aqui na cidade!”, lembrando os demais de TB, e nas mais variadas áreas de mão-de-obra, que rodam o mundo, para não deixarem faltar nada para os seus familiares.
Pedido pelo Site, que lembrasse primeiro, de uma situação bem triste que viveu no trecho, e uma, mega alegre: da triste, a perda de companheiros, que minutos antes, estavam ali, se dialogando! A situação alegre, é com êxito, “você entregar o seu trabalho!”. A alegria do diálogo com os amigos que o trecho fez, e de perguntar como estão eles, e suas famílias, e muitos pelo whats app, estando eles, por exemplo, na Alemanha, na Guiana Francesa... “este, para mim, acho que é um momento muito feliz!”.

Na chegada do ônibus que ele iria embarcar, a pedido do Oberekando, deixou um recado às crianças e adolescentes, que por vezes ainda não tem esse entendimento da necessidade das visitas dos pais, correndinho, devido a trabalhar no trecho... que o pai está lutando por eles: “Este é o princípio! Nunca se esqueçam disso! Guerreiros como eu e os demais, vão com o coração partido embora, mas com a esperança de dar o melhor pra eles, sempre! Você consegue... sempre falo... você consegue dar tudo para sua família... alimento, suporte, tudo... talvez falte a presença nossa! Hoje, como eu disse, pela internet, a gente consegue se ver, conversar também, mas não é aquela presença pessoal, e talvez o que falte para minha família seja isso! Acredito que para muitas outras, que as crianças falam... ‘ah, mas o meu pai não está aqui! Meu guerreiro, nunca está aqui!’! Mas que eles nunca percam a esperança, que continuem firmes no caminho... firmezinhos, sempre orgulhosos dos pais, de nós, que vivemos nesse mundo aí, tanto nós, peão de trecho, como motorista de ônibus, caminhoneiro, qualquer um que seja pai de família... os filhos sempre têm um amor e carinho por eles, porque são uns guerreiros!”.
Este jornalista, com autorização do entrevistado, fez questão de registrar um abraço e saudações, ao engenheiro Carlos Câmara Guatimosin, que foi quem, em 1983, o fez ter o primeiro emprego com carteira assinada, e na Tecnomont/Tenenge – ele, da Tenenge (à época), na obra da Pisa, fábrica de papel, em Jaguariaíva!
EMPENHADO NA REIVINDICAÇÃO PELA CANALIZAÇÃO DO ARROIO LIMEIRA
Mesmo de longe, João Carlos está atento, e sempre interagindo, a todas as matérias, no Oberekando, que fazem alusão ao pedido da canalização do Arroio Limeira. Morador que é, sua família, daquelas imediações, e ele, quando retorna à sua cidade natal, nas folgas, fins de semana corridos! “Tenho pedido e vou continuar insistindo até que as nossas gestões aí, façam a sua parte, que é olhar pela nossa população ali. Porque não é só pedir voto... na hora que precisam de voto lembram que nós existimos ali! Mas vamos olhar pelo nosso pessoal que está ali embaixo! Existem meios, existem condições! Esse papo que o IAP (hoje, Instituto de Águas e Terras – IAT) não libera... dizem que o IAP não libera... porque não libera só pra nós e para outros ele libera?”, desabafou, interrogando!
João deixou a todos, à sua família e a todas as demais, e aos amigos do trecho, o desejo de Feliz Ano Novo!
Se puderam observar, ele está levando o nome de Telêmaco, Brasil afora, e veste a camisa oficial do Aquárius!