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AGOSTO LILÁS: DRA. SANDRA E PADRE PRIMO
AGOSTO LILÁS: DRA. SANDRA E PADRE PRIMO

A delegada da Polícia Civil de Reserva, o pároco Redentorista de Telêmaco e a prevenção da violência contra a mulher

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2021-08-21 às 07:09:43) Uma conversa de suma importância visando o combate da violência contra a mulher, com ênfase maior ao Agosto Lilás que destaca esta questão, foi com a delegada da Polícia Civil de Reserva, doutora Sandra Nepomuceno e com o pároco Redentorista, padre Primo Aparecido Hipólito, da Paróquia Nossa Senhora de Fatima, Matriz de Telêmaco Borba.

Diversas temáticas foram abordadas em 74 minutos, que você poderá assistir na íntegra no vídeo abaixo.

“É um prazer poder levar esse assunto, que é bastante familiar. Eu que trabalhei na Delegacia da Mulher, e é muito importante o debater, e levar ao maior número de pessoas, pois o conhecimento realmente, faz com que estas mulheres consigam sair desta situação”, falou a delegada.

Primo também disse que é sempre importante fazer esse tipo de reflexão, de debate, de conversas, e conhecer outras áreas, também. Eu sempre digo que o padre, como líder de uma comunidade, como uma delegada, enfim, com outras lideranças..., sinto que é importante a gente se envolver nessas reflexões e justamente para a gente conhecer. Pois justamente como diz a palavra de Deus, que se a gente não conhece, ... se a gente não conhece, como a gente vai viver isso?... Como você vai se envolver?”. Neste sentido, rememorou que mês retrasado, a Diocese desenvolveu trabalhos voltados ao Julho Violeta, que ensejou o combate à violência contra os idosos, aonde houve um envolvimento muito simples, mas que chamasse atenção dos fieis para o tema.

Avaliou a doutora, ser importante o envolvimento do padre, porque a igreja é a porta de maior acesso da população, pois ela faz em determinadas situações, o papel do psicólogo, especialmente das pessoas mais carentes, aquela mesma que por vezes, no caso da mulher, até teme que se ir a uma delegacia, se amedronta da possibilidade do marido ficar preso, ou até mesmo, se omite, porque sabe que ele é o provedor do lar.

No caso de uma denúncia de uma violência sexual, a mulher ficará com vergonha, e não raro, ainda é vista como culpada, ao se exemplificar o caso do médium João de Deus, quando a coragem de uma delas, deu abertura que outras também informassem que foram abusadas. Sandra, inclusive, que também trabalhou com crianças e adolescentes, escutou por várias vezes, a alegação do agressor ou seus defensores, se a abusada, ainda não provocou o infrator, adulto, ao ponto de ser estuprada: “É uma cultura muito machista ainda, mas graças à Legislação que já está evoluindo, graças a conversas, como no caso com o padre aqui hoje, a gente tem evoluído”.

A Lei Maria da Penha vem como subsídio à mulher, até mesmo pela sua fragilidade e são os instrumentos que dão maior proteção. A maior visibilidade desta proteção, é o que protagoniza, o Agosto Lilás.

 

INTIMIDAÇAO E CHANTAGEM PELOS NAMORADOS

Infelizmente se torna comum namorados, ‘ficantes’ por vezes, tratarem as mulheres, especialmente menores de idade, - mas em se falando em idades, ainda consideradas crianças, - como seus objetos, e com medo do fim da relação amorosa, essas se deixarem ser intimidadas pelos parceiros.  Muitos deles por exemplo, até chegam a proibir que com suas próprias famílias, as namoradas façam viagens até em parentes, por crises de ciúmes! Nesse caso, lembra a delegada, os pais têm que assumir as rédeas desta situação!

GRAVIDEZ: Sandra lembra que a pessoa que está se relacionando sexualmente com menina menor que 14 anos, ou seja, de 13 para baixo, está cometendo o crime de estrupo de vulnerável: “Vai dar problema. Não importa se a mãe permite, se o pai permite, e se a menina permitiu! É proibido! A Legislação não permite relação sexual com crianças e adolescentes”.

Muitas vezes, informou ela, se descobre que a menina está grávida nessa idade aonde houve transgressão por parte do parceiro, quando se vai fazer o pré-natal: O hospital, por força de Lei, tem que comunicar a polícia.

 

O TRABALHO NA DELEGACIA DA MULHER, DE APUCARANA, E A VINDA PRA CIDADE DE RESERVA

Ela é nascida e criada em Curitiba, e foi aprovada no último concurso para delegada, fazendo três anos que ela exerce a função e teve sua entrada na área, justamente na Central de Flagrantes da Capital do Estado por um ano, ao qual considerou como uma clínica geral, para efeito de início na profissão. Em seguida, assumiu a titularidade da Delegacia da Mulher, em Apucarana. Lá, também, uma área que ela tem afinidade e satisfação em atender, eram sobre sua batuta, questões quanto à crianças e adolescentes. Neste período de dois meses em Reserva, disse estar bem satisfeita, por entender que a cidade vinha de uma carência de delegado de polícia, podendo ela, suprir essa lacuna.   

“É bom até a gente frisar: Eu percebo, principalmente em cidades menores, como agora Reserva, que realmente as pessoas acham que a violência é só física... é estar com o olho roxo, e não é! O xingamento... a pessoa fica xingando o dia inteiro a mulher na casa! Isso já é crime! Cometeu um crime de injúria! Isso inclusive, já cabe até medida protetiva. E o abalo emocional, psicológico! A humilhação!”, além das vezes que quando recebe visita, cita que “a mulher não vale nada! É uma porca! Não cuida direito da casa! É uma gorda! Ele está cometendo vários crimes nesse dia-a-dia”, lembra a delegada.

Em diversas situações colocadas durante a entrevista, Primo disse que a Igreja se depara com pessoas que nela procuram abrigo espiritual quando por vezes já encontram-se encurraladas e necessitando de orientação de como agir na vida à dois bastante conturbada, e não raras, já colocando toda uma família em risco e eminente sofrimento.

O Agosto Lilás está possibilitando importantes ações de conscientização sobre o tema, especialmente por parte do poder público e instituições.

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A entrevista foi encerrada com o padre concedendo bênção especial a todas as mulheres que passam por estas situações, para que hajam com confiança e esperança em Deus, e que tenham coragem, de com responsabilidade, procurarem pelas vias legais para dar um basta a uma vida de sofrimento, que com maturidade, pode ser sanada. Como comumente são feitas, o bate-papo conclui-se com alguns segundos de silêncio como respeito em memória póstuma, a todas as vítimas fatais do Covid-19, e que Deus traga conforto aos respectivos familiares destas vítimas.

Agradecimentos ao delegado titular da 18ª SDP de Telêmaco Borba, Dr. Anderson Seiji Kudo, pela sugestão da indicação da Dra. Sandra, para esta pauta.

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